O texto abaixo proposto é inteiramente fruto de conceito pessoal. Relata acontecimentos que, embora reais, não foram testemunhados ou diretamente vivenciados. O que se conta, são as impressões do que foi lido, ouvido e apreendido sobre esses factos históricos, com atenção, espírito critico e opinião própria, podendo dizer, conquanto verdadeiramente não os tenha “sentido na pele”, que foram conhecidos e sensorialmente sofridos.
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A Guerra fria e Gorbachev
— A decantada Guerra Fria, terá sido idealizada, mantida e fomentada pelo ocidente para próprias vantagens, e, em particular, habitual e naturalmente seguida e aproveitada pela Europa com interessados e subservientes motivos políticos, segurança e economia, vindo a ser quase esbatida aquando da extinção da União Soviética e do Pacto de Varsóvia. Recentemente, a propósito ou por causa do “beliscão” da Rússia à Ucrânia, foi recuperada e reposta com grande efusão e feroz radicalismo pelos países afetos ao tratado do Atlântico Norte, bem difundida pela conveniente prosápia da tradicional vassalagem de bajuladores políticos, com a despropositada jactância dos média, ainda que apenas ou principalmente por imperativos editoriais, expressamente ministrados em reuniões doutrinárias de procedimento e metodologia, soberbamente burilados a troco de avenças majoradas, com especial enfoque na área audiovisual.
Um sem fim de esmeradas, polidas e espúrias narrativas com deturpações do concreto, em repetições até à exaustão, que intoxicam, falseiam, corrompem e moldam os conceitos e opiniões dos consumidores, sem prejudicarem, uns e outros, e até em muitos casos conscientemente, a estafada, aberrante e bastarda palavra resiliência (que nunca usei, porque a velha e filosófica “estoicismo” de Zenão de Citio me bastava), cuja pedante pletora dos últimos quatro ou cinco anos, pegada por jornaleiros e botada em seus jornais, levada por alunos, mestres, catedráticos para as academias, gala de presidentes, amanuenses e porteiros, e a solene pompa de ministros e parlamentares metamorfoseou de resiliência para fastidiosa repelência. E ainda, na falta de outra matéria relevante, o recurso ao “wokismo” exacerbado de que andavam possuídos, oportunamente adotado e copiado da América, todavia versando outras questões e parâmetros sociais que não aqueles de lá, mais ocupados com os persistentes problemas e dificuldades causados por confrades hispânicos e afroamericanos.
Entretanto, para que não lhes falte assunto, pão e modo de vida, já por perto se enxerga o desenvolvimento de outra insólita e medonha guerra — agora apodada de híbrida —, que terá como potenciais armas de arremesso as loucas ideias produzidas em satânicos gabinetes por cérebros lunáticos e megalómanos, com a ajuda da IA. Por ora, privilegiam acicatar as massas de outras nações, próximas ou distantes, para reivindicações e insurreições internas, com o propósito de mudar regimes políticos desviados, hostis ou conflituosos, para dóceis e maleáveis aos próprios desígnios; criar problemas económicos e aduaneiros, impondo taxas e tarifas humilhantes; estimular as forças democráticas adversárias locais desses países com aliciamentos e pressões estratégicas, a fim de debilitar os poderes legalmente vigentes, ao arrepio das convenções universais instituídas. Por se apresentar incipiente, camuflada de neutralidade, abstracionismo e ambiguidade, uma guerra híbrida, se a origem for fértil e poderosa, pode tornar-se assustadoramente real, concreta e de eficácia desastrosa.
Terminada a II Grande Guerra, foi criada, quase de imediato, uma aliança militar, a Nato, eufemisticamente para defesa dos países do Atlântico Norte – “defesa” … há quem diga, à boca cheia, em trocadilho paroquial, “para defesa” de um popular utensílio de cozinha —, com o pretexto e justificação preventiva de eventuais ou atrevidas veleidades do "papão” soviético, devido à sua poderosa e invencível demonstração de combate com que havia destruído o nazismo. Não perdeu tempo o "papão" soviético e estabeleceu o Pacto de Varsóvia para ter forças equivalentes que fizessem frente à Nato — o “papão” contrário...
O mal estava feito — ninguém, em qualquer situação, deve replicar asneiras…
Sem consideração pelos povos nem uns pelos outros, aproveitaram a florescente indústria do armamento, herdada das necessidades criadas nas beligerâncias anteriores, para superarem qualquer antagonista, e elevarem, em consequência, o prestígio e propaganda global perante os países de todos os quadrantes, promitentes próximos clientes, assegurando a reputação desejada, e, por acréscimo, grandes lucros e proveitos económicos. Promoveram mais estaleiros e fábricas, com milhares de operários, a produzirem de forma crescente, para eles e para o mercado, com preços fixados na origem, sem direito a regateios, discussões ou reclamações, complexas armas para combate em qualquer espaço ou situação: naval, espacial ou tradicional; aperfeiçoaram e criaram progressivamente avançados modelos de supersónicos aviões, navios, porta-aviões, submarinos e multiplicaram as poderosas, temíveis e abomináveis ogivas nucleares, que disseminaram estrategicamente por países aliados de ocasião politica, futuros satélites por imposição, para servirem de esteios ou empórios de todos os materiais bélicos, logísticos e comerciais; apostaram e espalharam por todo o mundo sofisticadas e altamente treinadas e instruídas polícias secretas internacionais ou enigmáticos, sombrios e eficientes agentes de espionagem, zelando e garantindo o êxito de uma guerra novelesca, a afamada guerra fria, assim crismada, pejorativamente, para lembrar que o inimigo era o siberiano das estepes cobertas de neve para lá dos Urais.
Simultaneamente, em compita desenfreada, género guerra estelar, anunciavam encher o espaço aéreo com satélites e sondas de investigação duvidosa, por vezes tripulados por animais, e outros aparelhos planadores, voadores e exploradores de misteriosos e longínquos planetas de todas as constelações e galáxias, e demais corpos celestes, bastando, para tanto, que luzissem e fossem detetados por inconcebíveis e poderosos telescópios. Com inusitada propaganda por todo o globo, divulgavam outros lançamentos, agora para hipoteticamente irem desfrutar o nosso satélite, tendo como principal escopo a exploração comercial de excursões e romarias, em prometedores encontros idílicos e românticos com a sedutora lua, a qual era suposto estar ansiosa e carente de "romeus" da sua mãe Terra, e aberta a franquear-lhes a entrada, depois de tantos sonhos e trovas, odes, cantos e serenatas com juras de amor, de bucólicos e convidativos lugares, sobretudo nas noites em que se enche de luz e cobre com o seu majestoso, exótico e deslumbrante manto de seda oriental, em clara promessa deleitosa e apelativa.
Que deceção! —Terá pensado.
Ainda hoje a vemos bela e inebriante como sempre, mas desiludida, triste e cúpida, embora brejeira e provocante, mostrando a sua virginal e encantadora pureza.
Terráqueo vai à janela
Firma bem o teu olhar
E desfruta a noite bela
Que a lua te quer beijar
Enquanto os de lá, os rivais, por trás da "cortina de ferro" — desdenhosamente dita "muro da vergonha" —, pragmáticos, para olhar Marte de mais perto e melhor poderem receber instruções de tática e logística dos invencíveis guerreiros marcianos, transportaram materiais e construíram uma plataforma espacial onde viviam durante meses e recebiam convidados da concorrência, que chegavam e regressavam sempre à boleia dos “táxis” dos anfitriões porque ainda não tinham um “vaivém”, até que fossem rendidos por outros camaradas, no entanto, sem resultados significativos (ou eram secretos?), visto nada contarem do que viram ou aprenderam; e outros voos, em surtidas para espionagem terrestre a países de duvidosas práticas, disfarçados na crença de que o objetivo principal da missão, seria satisfazer o imaginário coletivo, dando as boas-vindas aos misteriosos ovnis carregados de extraterrestres vegas e seus vizinhos planetários e, como bons hospedeiros, fazerem gala da excelência protocolar na arte do bom acolhimento.
Até que, paradoxalmente, do nada ou do maior país do mundo, surgiu um carismático homem soviético, cuja careca mostrava um desenho natural, fruto do próprio sangue, que poderia ser tomado como imagem de uma ilha nórdica — talvez a Gronelândia!... Investido de aura incomum, poderes e prestígio de efeitos surreais, diria mesmo quase sobrenaturais, influente nos povos, instituições e governos de todo o planeta, tais que, grosso modo e laivos burlescos impostos pela natureza da impossibilidade para tal efeito, seria eleito presidente dos EU, conforme, ao tempo, foi noticiado com base em trabalho jornalístico e uma sondagem simulada aos eleitores americanos — tal era, aí, a sua popularidade —, um tal Mikhail Gorbachev que, cumprindo a sua Perestroika, resolveu pôr em prática os próprios desígnios reformadores com a descentralização do sistema socialista. Assim, começou por dissolver a União Soviética (a sua Rússia lhe bastava), devolvendo a autodeterminação a 16 ou 17 países, antigos possuidores, e eliminando, de imediato, o pacto de Varsóvia (mostrando à saciedade que não temia natos) e destruindo o muro de Berlim, donde resultou, para a Alemanha, a recuperação da sua tradicional capital, e a totalidade do seu território de antes da guerra - a chamada RDA (Alemanha de Leste).
Só que os ocidentais não tiveram a coragem de fazer o mesmo.
Porque não acabou então a Nato? Porque continuaram a expandi-la? Pensariam, por acaso, que estariam no tempo de Sua Santidade o Papa Urbano II, com ordens divinas e direitos transcendentais para cabal cumprimento e iteração das suas saudosas cruzadas? A resposta – a nossa, a popular - só pode ser porque haviam criado demasiados lugares administrativos, cheios de gabinetes, chefes, diretores e presidentes; escolas de oficiais, “fábricas” de generais, comandos, comandados e interesses económicos, dos quais tudo e todos dependiam, para cuja resolução estrutural não teriam solução. Então, como sempre, deixou-se andar... que a América, o mais rico e maior interessado, vai pagando, em proporção conceitual e estatutária, até se comporem as coisas…
Não tardou que iluminados cérebros europeus, tomando por modelo e inspiração a União do Benelux, criaram a UE, construindo monumentais edifícios com espaços parlamentares, escritórios, sumptuosos gabinetes para deputados, chefes, diretores, líderes e presidentes, oportunidades, oportunistas, e outras posturas de infinitas vaidades, para daí espargirem leis, normas, regulamentos e promessas, prenhes de proibições, compromissos e responsabilidades. Não esquecendo a caterva de “aspones” (“assessores de porra nenhuma”), clientela política associada, putativos dirigentes, que logo aderem como lapa à rocha.
Quanto ao grande Gorbachev, sendo unanimemente considerado de inteligência superior, não era, contudo, indefetível e, assim, uma ponta de ingenuidade, sempre apegada aos sages e honestos, ter-lhe-á escapado, daí a raiz da disrupção que permitiu a espertos patrícios, unidos e astutos, por trilhos ínvios, penetrarem as brechas das débeis trincheiras que não estavam preparadas para as provas de traição, maldade e falsidade, e tolher-lhe o prestígio, a fama e o poder, varrendo-o injusta e liminarmente da História, até quase desaparecer da memória e citações, sem embargo de ter modificado pacificamente a geografia e organização política de povos e nações. Apesar de tudo, ainda durante alguns anos, foi convidado de honra de vários países para localmente fazer conferências políticas. Em Portugal, prelecionou na Gulbenkian para os ilustres e políticos desse tempo. Aproveitando a ocasião da sua passagem por Lisboa, foi também solicitado para uma entrevista, em direto, num canal televisivo.
Mas então porque foi ele proscrito? Porque no seu país, na Rússia, nunca lhe perdoaram a sua grandeza e superioridade inteletual, nem a coragem de ter pulverizado o abrangente Império que a II Grande Guerra havia criado, reduzindo-a ao tempo dos czares Romanovs, com o agravo de pactos, acordos e cedências à concorrência, dando-lhe a oportunidade para se vangloriar de uma vitória “pírrica”; e, no ocidente, americanos e europeus, os pusilânimes e invejosos tecnocratas, instalados em seus luxuosos gabinetes, eivados de mordomias e fúteis poderes, fogem de o referir, para fazerem crer que foram eles ou os seus antecessores que ganharam a guerra fria, pelo que não lhes era, e não é, de todo, conveniente falar desta mítica personagem.
Alguém quer fazer de nós tolos!...
Constantino Braz Figueiredo
(personal intelligence only)