O texto abaixo proposto é inteiramente fruto de conceito pessoal. Não tem intenção de relatar acontecimentos que, embora reais, não foram testemunhados ou diretamente vivenciados. Assim, o que se diz, são impressões do que foi lido e apreendido sobre esses factos históricos durante mais de setenta anos, com atenção, espírito critico e opinião própria, podendo dizer, conquanto verdadeiramente não os tenha “sentido na pele”, foram conhecidos, comentados e na mente gravados.
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— A “decantada” Guerra Fria, terá sido idealizada e fomentada pelo ocidente para próprias vantagens, e naturalmente seguida e aproveitada pela Europa com interessados e sempre subservientes motivos geopolíticos, segurança e economia, vindo a ser quase esbatida pela extinção do Pacto de Varsóvia e da própria União Soviética. Recentemente, e a propósito ou por causa do “beliscão” da Rússia à Ucrânia, foi recuperada pelos países afetos ao tratado do Atlântico Norte e bem difundida pela jactante e conveniente prosápia dos média, expressamente burilada em gabinetes, por vezes bem conseguida, a troco de avenças majoradas, sobretudo nas áreas audiovisuais, com espúrias narrativas, esmeradas com polidas deturpações do concreto, onde as repetições até à exaustão, intoxicam, falseiam e corrompem os conceitos e opiniões dos consumidores, pondo de parte, e até em muitos casos conscientemente, a estafada e aberrante palavra resiliência (que nunca usei, porque a velha “estoicismo” de Zenão de Citio me bastava), cujo uso e abuso desde o presidente ao amanuense, passando pelos ministros, assembleia e parlamentares, tornou repelente, e ainda o recurso ao “wokismo” exacerbado de que andavam possuídos, oportunamente adotado e copiado da América, todavia versando outras questões e parâmetros sociais que não aqueles de lá, as persistentes dificuldades com hispânicos e afroamericanos...
Entretanto, para que não lhes falte assunto, pão e modo de vida, já no horizonte se desenvolve outra insólita e medonha guerra - agora cognominada de híbrida – que terá como potenciais armas de arremesso as loucas ideias produzidas em satânicos gabinetes por cérebros megalómanos, com a ajuda da IA. Por ora, privilegiam acicatar as massas de outras nações, próximas ou distantes, para reivindicações e insurreições, criar problemas económicos e aduaneiros, impondo taxas e tarifas humilhantes, e estimular as forças democráticas adversárias locais com pressões estratégicas, a fim de debilitar os poderes vigentes, ao arrepio das convenções instituídas, o que a torna ambígua e perigosa, por se apresentar camuflada de neutralidade, incipiência e abstracionismo, mas assustadoramente real, concreta, com eficácia perniciosa.
Terminada a II Grande Guerra, foi criada, quase de imediato, a aliança militar, a Nato, eufemisticamente para defesa dos países do Atlântico Norte. Sem medo, mas com o justificado pretexto preventivo de eventuais ou atrevidas veleidades do "papão” soviético, devido à sua poderosa e invencível demonstração de combate com que havia destruído o nazismo. Sem perca de tempo, o "papão" soviético, estabeleceu o Pacto de Varsóvia para ter forças equivalentes que fizessem frente à Nato - o “papão” contrário...
O mal estava feito – ninguém, em qualquer situação, deve replicar asneiras…
Sem consideração pelos povos nem uns pelos outros, aproveitaram a florescente indústria do armamento, herdada das necessidades criadas nas beligerâncias anteriores, para superarem qualquer antagonista, e principalmente elevarem, em consequência, o prestígio e propaganda global perante todos os países de todos os continentes, promitentes próximos clientes, e para grandes benefícios económicos, promoveram mais estaleiros e fábricas, com milhares de operários, a produzirem de forma crescente, para eles e para todo o mercado, com preços fixados na origem, sem direito a regateios, discussões ou reclamações, complexas armas para combate em qualquer terreno ou situação: mar, terra e ar; aperfeiçoaram e criaram novos e cada vez mais avançados modelos de supersónicos aviões, navios, porta-aviões, submarinos e multiplicaram as poderosas, temíveis e abomináveis ogivas nucleares, que disseminaram estrategicamente por países aliados de ocasião politica, futuros satélites por imposição, e apostaram em sofisticadas e altamente treinadas e instruídas polícias secretas internacionais e enigmáticos, sombrios e eficientes agentes de espionagem, inventando uma guerra novelesca, que, ao arrefecer, transformou-se em guerra fria que nunca mais aqueceu, mas também não havia quem a quisesse terminar, porque isso, por óbvios motivos, não lhes interessaria!
Simultaneamente, em compita desenfreada, género guerra estelar, enchia-se o espaço aéreo com satélites de alta tecnologia, sondas de investigação duvidosa e outros aparelhos planadores, voadores e exploradores, por vezes tripulados com animais - ainda não se conheciam os drones -, e mais lançamentos para hipoteticamente ir desfrutar o nosso satélite, tendo como escopo a exploração comercial de excursões e romarias, para encontros românticos com a sedutora lua, a qual era suposto estar ansiosa, fascinada e carente de "romeus" da mãe Terra, e aberta a franquear-lhes a entrada, depois de tantos sonhos e poemas, odes, cantos e juras de amor, sobretudo nas noites em que se enche de luz e cobre com o seu majestoso, exótico e deslumbrante manto de seda oriental, em clara promessa deleitosa e apelativa. Que deceção! Ainda hoje a vemos bela e inebriante como sempre, mas desiludida e triste, embora sempre brejeira e provocadora, mostrando a sua virginal e encantadora pureza.
Terráqueo vai à janela
Firma bem o teu olhar
E desfruta a noite bela
Que a lua te quer beijar
Enquanto os de lá, os rivais, por trás da "cortina de ferro" - pejorativamente dita "muro da vergonha" - pragmáticos, para olhar Marte de mais perto e melhor poderem receber instruções de tática e logística dos invencíveis guerreiros marcianos, transportaram materiais e construíram uma plataforma espacial onde viviam durante meses, até que fossem rendidos por outros camaradas, no entanto, sem resultados significativos (ou eram secretos?), visto nada contarem do que viram ou aprenderam; e outros voos, em surtidas para espionagem terrestre a países de duvidosas práticas, disfarçados na crença de que o objetivo de missão principal, seria satisfazer o imaginário coletivo, dando as boas-vindas aos misteriosos ovnis carregados de extraterrestres, vegas, marcianos e seus vizinhos planetários e, como bons anfitriões, fazer gala da excelência do protocolo na arte do bom acolhimento.
Até que, paradoxalmente, do nada ou do maior país do mundo, surgiu um carismático homem soviético, cuja careca mostrava um desenho natural, fruto do próprio sangue, que poderia ser tomado como imagem de uma ilha nórdica - talvez a Gronelândia. Investido de aura incomum, poderes e prestígio de efeitos surreais, diria mesmo quase sobrenaturais, influente nos povos, instituições e governos de todo o planeta, tais que, grosso modo e laivos burlescos dada a sua natural impossibilidade para esse efeito, seria eleito presidente dos EU, conforme, ao tempo, foi noticiado com base em sondagem feita aos eleitores americanos, tal era, aí, a sua popularidade - um tal Mikhail Gorbachev que, cumprindo a Perestroika, resolveu pôr em prática os seus desígnios reformadores com a descentralização do sistema socialista. Assim, começou por dissolver a União Soviética (a sua Rússia lhe bastava), devolvendo a autodeterminação a 16 ou 17 países tradicionais possuidores e eliminando, de imediato, o pacto de Varsóvia (mostrando que não temia natos) e destruindo o muro de Berlim, donde resultou, para a Alemanha, a recuperação da sua tradicional capital, e a totalidade do seu território - a chamada Alemanha de Leste.
Só que os ocidentais não tiveram a coragem de fazer o mesmo.
Porque não acabou então a Nato? Porque continuaram a expandi-la? A resposta só pode ser porque haviam criado demasiados lugares administrativos, cheios de gabinetes, chefes, diretores e presidentes; escolas de oficiais, “fábricas” de generais e interesses económicos, para cuja resolução estrutural não tinham solução. Então, como sempre, deixou-se andar... que a América, o mais rico e maior interessado, vai pagando até se comporem as coisas… E foi quando a inteligência humana, europeia, iluminados cérebros criaram a UE, construindo edifícios monumentais com espaços parlamentares, escritórios, sumptuosos gabinetes para deputados, chefes, diretores, líderes e presidentes, oportunidades, oportunistas e… vaidades. Com leis, normas, regulamentos e promessas, prenhes de proibições, compromissos e responsabilidades. Não esquecendo a caterva de “aspones” (“assessores de porra nenhuma”), clientela política associada.
Quanto ao grande Gorbachev, sendo unanimemente considerado de inteligência superior, não era, contudo, indefetível, e assim ter-lhe-á escapado alguma ingenuidade que causou a disrupção, permitindo a espertos patrícios, unidos e astutos, penetrar as brechas das débeis trincheiras, que não estavam preparadas para as provas de traição, maldade e falsidade, e tolher-lhe a inteligência, a fama e o poder, varrendo-o injusta e liminarmente da História, até quase desaparecer sem memória nem citações, mesmo tendo modificado pacificamente a geografia e organização política de muitos povos e nações. Por quê? Porque no seu país, na Rússia, nunca lhe perdoaram a sua grandeza e superioridade inteletual, nem a coragem de ter pulverizado o grande Império que a II Grande Guerra havia criado, reduzindo-a ao tempo dos czares, com o agravo de cedências e pactos com os concorrentes inimigos; e, no ocidente, americanos e europeus, os pusilânimes e invejosos tecnocratas, instalados em seus luxuosos gabinetes, eivados de mordomias e fúteis poderes, fogem de o referir, para fazerem crer que foram eles ou os seus antecessores que ganharam a guerra fria, pelo que não era, e não é, de todo, conveniente falar dele.
Alguém quer fazer de nós tolos!...
Constantino Braz Figueiredo