quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Guerra Fria e Gorbachev

 



O escrito abaixo proposto é inteiramente fruto de conceito pessoal.  Não tem intenção de relatar factos e acontecimentos que, embora reais,  não foram testemunhados ou diretamente vivenciados. Assim, tudo o que se diz, são as impressões do que ao tempo foi lido e apreendido durante mais de setenta anos,  com atenção, espírito critico e opinião própria, podendo dizer-se, conquanto verdadeiramente não os tenha “sentido na pele”, foram conhecidos, comentados e na mente registados.

Guerra fria e Gorbachev

— A “decantada” Guerra Fria, terá sido idealizada pelo ocidente para próprias vantagens, e naturalmente seguida e aproveitada pela Europa por interessados e sempre subservientes  motivos geopolíticos, segurança e economia, vindo a ser quase esbatida pela extinçao do Pacto de Varsóvia e da própria União Soviética. Nos tempos que correm, e a propósito ou por causa do beliscão da Rússia à Ucrânia, foi recuperada pelos países afetos ao tratado do Atlântico Norte e bem difundida pela jactante e conveniente prosápia dos média, expressamente trabalhada em gabinetes, por vezes bem conseguida, a troco de avenças majoradas, sobretudo nas áreas audiovisuais, com espúrias narrativas, sempre escolhidas com polidas deturpações do concreto, cujas repetições até à exaustão, intoxicam, falseiam e corrompem os conceitos e opiniões dos consumidores, pondo de parte, e até em muitos casos conscientemente, o “wokismo” exacerbado de que andavam possuídos, que havia sido oportunamente adotado e copiado da América, todavia versando outros problemas e parâmetros sociais que não aqueles de lá, os persistentes hispânicos e áfrico-americanos…Mas já, no horizonte, se desenha outra guerra, agora híbrida, ambígua, perigosa e bem real.
 
Terminada a II Grande Guerra Mundial havia-se criado, quase de imediato, a aliança militar e de guerra, a Nato, eufemisticamente chamada de defesa, dos países do Atlântico Norte, sem medo, mas com algum respeito, e com o justificado  pretexto preventivo de possíveis ou atrevidas veleidades do "papão” soviético, devido à sua poderosa e invencível demonstração de combate com que havia destruído o nazismo; e o "papão" soviético, por sua vez, criou o Pacto de Varsóvia para ter forças equivalentes que fizessem frente à Nato - o “papão” contrário...

O mal estava feito – ninguém, em qualquer situação, deve replicar asneiras…

Daí que, sem consideração uns pelos outros, mas para aproveitarem a florescente indústria do armamento, herdada das necessidades criadas nas beligerâncias anteriores e para o consequente prestígio e propaganda global perante todos os países de todos os continentes, promitentes próximos clientes, e para grande proveito económico, criaram mais estaleiros e várias fábricas, com milhares de operários, a produzirem  de forma crescente, para eles e para todo o mundo, complexas armas para combate em qualquer terreno ou situação:  mar, terra e ar; aperfeiçoaram e criaram novos e cada vez mais avançados modelos de supersónicos aviões, navios, porta-aviões, submarinos e multiplicaram as poderosas, temíveis e abomináveis ogivas nucleares, que disseminaram estrategicamente por países aliados de ocasião politica, futuros satélites por imposição, e apostaram em sofisticadas e altamente treinadas e instruídas polícias secretas internacionais e enigmáticos, sombrios e eficientes agentes de espionagem, inventando uma guerra novelesca, que, ao arrefecer, transformou-se em guerra fria que nunca mais aqueceu, mas também não havia quem quisesse acabar com ela, porque isso, por óbvios motivos, não lhes interessaria!

Entretanto, em compita desenfreada, género guerra estelar, enchia-se o espaço aéreo com satélites de alta tecnologia, sondas de investigação duvidosa e outros aparelhos planadores, voadores e exploradores, por vezes tripulados com cães e gatos, talvez ainda outros animais (os ratos gostam de ser os primeiros...)  - ainda não se coheciam os drones -, e mais lançamentos para hipoteticamente ir  desfrutar a lua, em visitas que com o tempo e exploração comercial se transformariam em excursões e romarias, para encontros românticos e sedutores, protelados por dificuldades técnicas e custos elevados, a qual era suposto estar ansiosa, fascinada e carente dos "romeus" da mãe Terra, depois de tantos sonhos, promesas e poemas, odes, cantos e juras de amor, sobtretudo nas noites em que se enchia de luz e cobria com o seu majestoso, exótico e deslumbrante manto de seda oriental, num “tomara que caias” deleitoso e apelativo.  Que deceção! Ainda hoje a vemos bela como sempre, mas desiludida e triste, embora sempre brejeira e provocadora, mostrando  a sua virginal e encantadora pureza.

Terráqueos ide à janela
Firmai bem o vosso olhar
E vede como a noite é bela
Quando a lua vos olhar

Enquanto os de lá, os rivais, por trás da "cortina de ferro" -  pejorativamente dita "muro da vergonha" - pragmáticos,  para olhar Marte de mais perto e melhor poderem receber instruções de tática e logística dos invencíveis guerreiros marcianos, transportaram materiais e construíram uma plataforma espacial onde viviam durante meses, até que fossem rendidos por outros camaradas, no entanto sem resultados significativos (ou eram secretos?), visto nada contarem do que viram ou aprenderam; e outros voos, em surtidas para espionagem terrestre a países de duvidosas práticas, disfarçados  no objetivo de missão principal, que seria  satisfazer o imaginário coletivo, dando as boas-vindas aos ovnis carregados de extraterrestres, marcianos e seus vizinhos planetários, servindo-lhes de bons anfitriões e fazendo gala da excelência do seu protocolo na arte do bom acolhimento.


Até que, paradoxalmente, do nada ou do maior país do mundo, surgiu um carismático homem soviético, cuja careca mostrava um desenho natural, fruto do próprio sangue, que poderia ser tomado como cópia de uma ilha nórdica - talvez a Gronelândia. Investido de aura incomum, poderes e prestígio de efeitos surreais, diria mesmo quase sobrenaturais, influente nos povos, instituições e governos de todo o planeta, que, grosso modo e laivos burlescos dada a sua natural impossibilidade para esse efeito, seria eleito presidente dos EU, conforme, ao tempo, foi noticiado com base em sondagem feita aos eleitores americanos, tal era, aí, a sua popularidade - um tal Mikhail Gorbachev que, cumprindo a Perestroica, resolveu pôr em prática os seus desígnios reformadores com a descentralização do sistema socialista. Assim, começou por dissolver a União Soviética (a sua Rússia lhe bastava), devolvendo a autodeterminação aos países tradicionais possuidores e eliminando, de imediato, o pacto de Varsóvia (mostrando que não temia natos) e destruindo o muro de Berlim, donde resultou, para a Alemanha, a recuperação da sua capital e a totalidade do seu território.

Só que os ocidentais não tiveram a coragem de fazer o mesmo.

Porque não acabou então a Nato? Porque continuaram a expandi-la? A resposta só pode ser  porque haviam criado demasiados lugares administrativos, cheios de gabinetes, chefes, diretores e presidentes; escolas de oficiais, “fábricas” de generais e interesses económicos, para cuja resolução não tinham solução. Então, como sempre, deixou-se andar... que a América, o mais rico e maior interessado, vai pagando até se comporem as coisas… E foi quando a inteligência humana, europeia, iluminados cérebros geniais, criaram a UE, construindo edifícios monumentais com espaços parlamentares, escritórios, sumptuosos gabinetes para deputados, chefes, diretores, líderes e presidentes, oportunidades, oportunistas e… vaidades. Com normas, regulamentos e promessas, prenhes de proibições, compromissos e responsabilidades. Não esquecendo a caterva de “aspones”, clientela política associada, (“assessores de porra nenhuma”).

Quanto ao grande Gorbachev, sendo unanimemente considerado de inteligência superior, não era contudo indefetível, e assim ter-lhe-á escapado alguma ingenuidade que lhe causou a disrupção que permitiu  a espertos patrícios, unidos e astutos, penetrar as brechas das débeis trincheiras que não estavam preparadas para as provas de traições, maldades e falsidades e tolher-lhe a inteligência, a fama e o poder, varrendo-o injustamente da História, até quase desaparecer sem memória nem citações, mesmo tendo modificado pacificamente a geografia e organização política de muitos povos e nações. Porquê? Porque no seu país, a Rússia, nunca lhe perdoaram a sua grandeza e superioridade inteletual, e  ter pulverizado o grande Império que a II Grande Guerra havia criado, reduzindo-a ao tempo dos czares, com o agravo de cedências e pactos com os concorrentes inimigos; e, no ocidente, os pusilânimes e invejosos tecnocratas, instalados em seus luxuosos gabinetes, eivados de mordomias e fúteis poderes, fogem de o referir, para fazerem crer que foram eles ou os seus antecessores que ganharam a guerra fria, pelo que não era, e não é, de todo, conveniente falar dele.

Alguém quer fazer de nós tolos!...

Constantino Braz Figueiredo